O pequeno detalhe que muitos ignoram ao pedir cartões com baixo rating em 2026

Em 2026, o mercado português conta com cerca de 7 milhões de cartões de crédito, mas obter aprovação com um histórico bancário frágil exige precaução. Conheça as estatísticas, os juros aplicados e as atuais tendências do crédito ao consumo no país.

Como Funciona a Avaliação de Crédito em Portugal

Em Portugal, apenas 52% dos mais de 7 milhões de cartões de crédito ativos registam dívida acumulada, de acordo com dados recentes do Banco de Portugal (BdP).

No mercado nacional, não existe um sistema de pontuação (“credit score”) clássico como o dos Estados Unidos. Em vez disso, as instituições financeiras avaliam o risco do consumidor baseando-se no rigoroso Mapa de Responsabilidades de Crédito do BdP.

Fatores cruciais que ditam a aprovação ou rejeição automática:
• Existência de incidentes (pagamentos mensais em atraso)
• Taxa de esforço atual (peso das prestações no rendimento limpo)
• Montante de financiamento já aprovado noutras instituições financeiras

Ter um “baixo rating” significa geralmente apresentar um histórico de atrasos ou uma taxa de esforço muito elevada. Nestes cenários, pedir um novo cartão pode agravar o perfil financeiro, levando a sucessivas rejeições no sistema.

Os Custos Reais: A TAEG Máxima em 2026

Os clientes com perfis de risco suportam as taxas mais elevadas, com a TAEG máxima a fixar-se nos 18,5% no terceiro trimestre de 2026.

Para proteger os consumidores, o Banco de Portugal atualiza trimestralmente os tetos de juros cobrados. Segundo o Portal do Cliente Bancário, esta taxa desceu ligeiramente face aos 19,0% cobrados entre abril e junho, mas continua a ser a modalidade de crédito mais cara do mercado.

O que deve reter antes de assinar qualquer contrato:
• A taxa máxima de 18,5% é habitualmente aplicada a perfis com histórico de risco
• Pagar o saldo a 100% no final do mês isenta o consumidor da cobrança de juros
• O crédito renovável representa, em média, 18% do montante total de novos contratos

Optar por pagamentos fracionados prolongados com a taxa máxima pode fazer com que os juros ultrapassem rapidamente o valor da compra original.

Cartão de Crédito (Exemplos) Anuidade TAEG Típica (2026) Exige Mudar de Banco?
Cartão Universo 0€ 18,5% Não
WiZink Flex 0€ 18,5% Não
Cartão Unibanco 0€ 18,5% Não
Cartão Classic BPI 20€ 16,4% Sim

As Alternativas Mais Fáceis de Aprovar

No mercado nacional, as entidades especializadas destacam-se ao aprovarem financiamentos mais rapidamente e com 0€ de anuidade associada.

Quando a banca tradicional recusa um pedido, muitos consumidores procuram crédito alternativo. Em Portugal, marcas como o Cartão Universo, o WiZink Flex e o Cartão Unibanco lideram este segmento, pois têm processos de avaliação ligeiramente mais flexíveis.

Vantagens destas alternativas no atual cenário económico:
• Adesão 100% digital e sem exigência de mudança de conta bancária
• Oferta garantida de 0€ de anuidade na maioria das modalidades
• Campanhas frequentes de cashback nas grandes superfícies comerciais

Apesar da aprovação mais acessível, estas entidades consultam obrigatoriamente o Banco de Portugal. Se o utilizador optar pelo pagamento fracionado das suas compras, será aplicada a TAEG limite em vigor (os referidos 18,5%).

O Que Vai Mudar: A Nova Diretiva Europeia

Até novembro de 2026, a nova Diretiva Europeia de Crédito ao Consumo (CCD2) entra plenamente em vigor, tornando as avaliações mais rigorosas.

Esta alteração legislativa promete transformar a forma como as instituições aprovam e concedem microcréditos, protegendo ainda mais os consumidores europeus contra o endividamento em espiral.

As principais tendências e mudanças regulatórias para o final do ano:
• Obrigatoriedade de avaliações de solvabilidade ainda mais detalhadas e estritas
• Fim de muitas aprovações 100% automáticas sem validação documental profunda
• Inclusão de pequenos empréstimos (abaixo de 200€) nas novas regras de proteção

Com estas medidas a entrarem em prática, pedir um cartão de crédito com um histórico financeiro fragilizado será mais complexo, incentivando a limpeza prévia do registo bancário.

Aviso: Este artigo é puramente informativo e educacional, não constituindo qualquer tipo de aconselhamento financeiro. As taxas referidas refletem os limites do Banco de Portugal estipulados para o 3.º trimestre de 2026. Consulte sempre a Ficha de Informação Normalizada (FIN) antes de contratar um crédito.

Fontes

Banco de Portugal (BPstat) – Cartões de crédito em Portugal Portal do Cliente Bancário – Taxas máximas do 3.º trimestre 2026 Jornal Económico – Nova diretiva de Crédito ao Consumo em 2026

Ariel H
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